sábado, maio 15

As vezes existem cores...


Até à uns tempos as coisas pareciam uma folha branca onde a tinta preta esbatia tudo num papel nu… A tinta preta esbatia os sentimentos, os dias, as horas…
Às vezes havia um cinzento que me dava esperança de descobrir novos tons… Sim é verdade que fui descobrindo que podia fazer muita coisa com o preto e branco… Aprendi a desenhar a carvão… A por textura nas coisas simples, tentar dar algum significado às imagens naquela folha branca…
Hoje, parece que amachuquei essa folha e ela está naquele caixote para o qual olho todos os dias… Não me esqueço do que está nela… Agora tenho uma nova folha à minha frente. Trouxeste uma caixa com lápis de cor… Tive que aprender a desenhar as coisas de uma forma diferente, a colocar alegria e cor nos objectos… Agora olho para folha e cada pedaço parece que tem vida só de olhar para ele… Sim é verdade que ainda pego no carvão… ainda pego no passado e desenho algumas coisas com a tristeza passada. Há coisas que não se apagam e como a minha BEST me disse o outro dia “Aprendemos a viver de uma forma diferente… a felicidade nunca será completa”…
Mas tu também trouxeste aguarelas e ajudas-me a dissolver o carvão em água colorida…
Obrigado por dares cor à minha vida.

quinta-feira, abril 15

Cansaço

Cansada de esperas inúteis reencontro a vida, sentada a um canto sacode o pó da mesa com a mão pálida. Vaguear insólito por ali e por aqui. Um sorriso triste inunda-me a face e choro com o riso quebrado no horizonte, antes que a manhã se principie apago a luz da alma para respirar o eco absurdo dos gestos amados. A vida poderia findar, se assim fosse não restariam os beijos dados à socapa nem o desejo de morrer agarrado a muito. Se a morte é a única certeza que temos porque havemos de viver?
Intoxicação?! Porque não? Respiro só mais um pouco antes de me ser diagnosticada a tristeza crónica. Distúrbios, queixumes, uma alma à tona de tudo como se a água fossem os momentos desgraçados que passamos sem nos darmos conta.
Vidas! Pessoas! Soltam-se os braços em filosofias de abraços que não se deveriam contar, solta-se o mundo ao avesso do que somos transpirando na minha pele, solta-se tudo antes que se acabe a voz dos gestos inacabados.
Tremo. Respiro devagar, pau-sa-da-men-te, reclamo, proclamo o nome do choro que sei que me acompanha e antes que a verdade me mate de uma vez por todas já nada me faz sentir viva.