quinta-feira, março 6

Re...cair

Visita ao médico!
Não há nada que eu menos goste do que visitar o médico.
Não por ele. Mas por ela.
Aquela minha amiga horrorosa, que me acompanhou num percurso sombrio da minha vida.
Aquela minha amiga que tanto me fez sofrer e ao mesmo tempo tão feliz me fez.

Tenho tantas saudades dela.
Hoje deu um aperto quando a vi, porque sabia que ela não ia marcar aquilo que eu queria.
E porque ?
Porque sou uma desleixada.
Depois de estar com ela apercebi-me que eu estou errada em relação a tanta coisa.

Eu sinto que estou a cair..
Que estou a recair ... a recair novamente .. de forma abismal !

Peço ajuda ?
Ou luto sozinha ?

domingo, setembro 25

Romper o silêncio!

TODOS gostam de comentar a linha tênue que separa o ódio do amor, há uma certa satisfação em remeter o sentimento maligno à proximidade da apreciação. Clichês à parte, o amor não perpetuado transforma-se por várias vezes em mágoa, quando não seca, pura e simplesmente. A mágoa é um dos escárnios da humanidade, corrói egos, destrói vidas, arquiteta planos mirabolantes para atingir um fim prejudicial, ou simplesmente silencia uma voz.


CONVIVER com ela pode ser uma das mil artes desenvolvidas pela nossa civilização moderna. Transformá-la em algo adverso pode ser a solução deste admirável mundo novo. Se amor acaba em mágoa, mágoa  acaba em quê? Falo da tênue linha que separa mágoa e ódio com a certeza de que quando os ressentimentos são despejados, existem dois caminhos: ou tudo se resolve e o borbulho morre (inércia), ou algum dos lados – curioso que é – insiste em invadir a sua história. Aí o ódio é inevitável.

SINTOMAS melhores do que o ressentimento, o ódio apresenta. Mas o pequeno espaço que o limita isolado dos amores não representa necessariamente que ele transforme-se de novo, siga o caminho inverso e tudo sejam rosas outra vez. Pelo contrário. Ele já gastou o seu combustível sentimental quando era mágoa, não pode mais imprimir algum regresso pela trilha tortuosa a qual passou. Agora, com ares de indiferença, a única reação que ele causa é uma leve contração estomacal quando vê o nome desafetuoso, náuseas. 

SE ARREPENDIMENTO matasse, não teria dito “sim” durante o plebiscito pelo desarmamento.

segunda-feira, junho 13

Facilmente se diz o que nas mãos não cabe..!

Desistiria de toda a esperança se me ordenares-ses,

Permaneceria difusa, com as mãos vazias e o coração acelerado.

De repente daria uma volta, três voltas se possível,
De graus diferentes, de vertigens rápidas,
Sempre no caminho que traçasse com os olhos apaixonados pelo ar.

Na distância do que foi e do que as fará permanecer

Os gestos como lanternas acesas, as palavras como faróis que guiam

A facilidade do sol que a aquece.


Perdoei ..? Sim, com todo o meu coração.
Esquece-lo ..? Não... Talvez um dia, mas hoje ainda tenho medo ...ainda tenho pesadelos..
assim...

Facilmente te dará o que não lhe cabe nas mãos…

quarta-feira, junho 1

e se eu pudesse...

Fugir. 
Deixar que o tempo passe por mim e apague as dores e as mágoas e as lembranças. 
Ficar vazia, sem pensamentos, por um dia. 
Por um mês. 
Um ano. 
Morrer depressa. 
Apagar os vestígios de mim no mundo. 
Talvez um dia renascer. 
Quem sabe menos deprimente. 
Com mais energia. 
Menos entrega. 
Menos paixão. 
Menos eu. 


Fugir. 
Enterrar-me num pedaço de papel e voar com o vento para qualquer lugar. 
Bem longe daqui, longe de mim. 


Fugir. 
Reinventar-me no corpo de alguém. 
Sem promessas. 
Sem futuro.
Sem vergonha. 
Sem passado. 
Sem presente. 
Só o minuto do calor dos corpos e do cheiro que fica sempre no ar. 


Fugir. escapar-me entre os meus dedos que procuravam afincadamente outros dedos em que se pudessem encaixar. 


Apenas fugir de mim.


se pudesse, não iria ...não agora !

terça-feira, maio 17

10 Minutos

Dá-me dez minutos. 
Um pouco de silêncio. Um espelho. Uma parede para me encostar e poder escorregar. Até ficar sentada no chão. De joelhos flectidos. Sim, sei que a saia vai ficar desalinhada. Dá-me dez minutos assim. Para mim. Em que eu possa ser, desesperadamente, eu. Ou uma outra qualquer. Às tantas uma pessoa cansa-se de ser sempre a mesma. 

Nove minutos.
E quero mudar. De corpo, de coração e até talvez de alma.
Descalço os sapatos. Pego na escova de dentes enquanto os meus pés pisam a tijoleira fria. Do outro lado desta porta feita de madeira, ouço vozes e o teu choro. E sim, estou deveras ocupada. 

Oito minutos. 
Isto é uma casa de banho. Na casa de uma outra pessoa. Mas não aguento mais é nesta ou noutra cidade. Pouco importa. Só quero estar só..chorar com vontade, gritar com todas as minhas forças..que esta não sou eu!

Solto os cabelos e dispo a t-shirt. Tiro os brincos e observo as lágrimas que caem nos meus dedos.

Dispo-me depressa. Depressa, porque não quero pensar. É a velocidade do contra-relógio. A urgência do momento. A intensidade do grito que calo diariamente.

Seis minutos. 
Os meus dedos afagam a suavidade do cetim. Acaricio as alças do soutien, fazendo-as deslizar através do braço. Lentamente. Tenho saudades. Tenho sede. Tenho um medo imenso. Abraço-me com força. Preciso de me fazer sentir quente. Carne minha. Crua de ti. Tijoleira fria.


Aquela ali sou eu. Foi naquilo em que me tornei. Tenho tantas saudades do meu corpo, aquele que detestei durante anos.


Cinco minutos.
Fecho os olhos e aquieto-me no reflexo imaginário deste corpo despido e destruído pelas marcas da maternidade. O meu corpo? Relembro-me de como era insignificante o bikini do verão que se aproximava e agora nestes segundos só consigo imaginar-me num fato de mergulho.

Sinto-me embalada pela letargia morna do desejo. Sou só eu. Embalada neste torpor de prazer roubado. Ao espelho. 


Tenho vergonha de me despir em frente a ti. Não deixo de pensar como a mudança exterior me afecta e me transforma por dentro. Traz novamente aqueles momentos de desespero e a falta de apetite.


Por hoje chega de massacre. 


Três minutos.
Retoco o cabelo e apanho as últimas madeixas num penteado imperfeito. Esta sou eu. Um pouco sozinha. Emoldurada na tela do tempo. Visto-me rapidamente para não pensar mais... e lavo a cara.


Um minuto.
Já vou, respondo ao teu choro..e passaram dez minutos. De mim.

sexta-feira, março 25

Efémero...!

O que nos faz, mais do que tudo, querer viver?
O que é que nos faz querer ser livres?
Quando sabemos que somos livres?
Como sabemos que vivemos?

Os outros não sei. 

Eu sinto a vida através do silêncio. 

Da ausência de pensamento.
Do sentir quando não está, do saber quando não se vê, do amar quando se esgotaram as forças. 
Destes minutos que são horas, que eu faço companhia a mim mesma, e ao mesmo tempo a tanta gente me rodeia, sem o estar. 
Dos cinco que estão lá, que afinal são dois, mas não importa, parecem vinte. 
Deste não olhar ao espelho e ver a minha alma com os meus dedos.
Deste não sair do mesmo sítio e viajar para longe, ou para o outro lado da ponte.
Aceitar quem sou e como estou. 

Gostar de quem conheço. 
Acreditar, e mais que tudo, sentir que não há razão para fugir do que existe, porque se existe, é para mim. 
Para que eu me possa construir e me moldar ao que me rodeia.
Aceitar o meu destino, mas não me deixar vencer. 

Reconhecer as oportunidades certas para o mudar. 
E não perder a energia a pensar no que passou, e não planear o que não pode ser planeado. 
Saborear-te na viagem, e ter a companhia certa. 
Ter tempo para respirar, para tocar, para ouvir. 
Ver o mar, ouvir a chuva, tocar nas paredes das casas. 
Ter prazer nas pequenas coisas. Divagar.



domingo, março 6

Respirar 1..2..3 vezes (continuo)

Como é que eu pude?

Será que algum dia me vou perdoar? Esquecer?

Será que algum dia vou conseguir passar pelo menos um mês sem pensar nisso?

Como...?

Quem era eu?...em que direcção estava eu a ir? Como deixei que me fizessem tanto mal...como é que fui capaz de perder todo o amor-próprio? E...como é que, passado tanto tempo, ainda bato na almofada à noite quando penso nisso, ainda fico zangada...ainda me sinto culpada.
É incrível como somos capazes de coisas que vão completamente contra o que achamos correcto, como nos humilhamos, como ficamos cegos...

Será que tudo seria igual se....?

Sufoco. Sente um sufoco, um aperto interior…como se o matassem por dentro, aos poucos.
Um vazio transbordante que incomoda, sufoca, aperta e destrói. Um aperto no peito que o impede de pensar, de respirar, de se soltar. Sente um peso na cabeça que incapacita os seus movimentos.
A falta de algo…de alguém. Um abraço vazio, um beijo perdido…um sussurro inaudível. Um riso mudo e uma imagem perdida nos pensamentos que não existem. Grita. Encolhe-se. Chora em completo descontrolo…chama por alguém que não está ali…que nunca esteve. A parede é agora alvo da sua raiva, da sua impotência. Ouve um estrondo, abre os olhos…está no chão, olha em volta e tudo está diferente…nada é como deveria ser. Onde está o jardim dos seus sonhos? A criança que corria alegremente de pés descalços de encontro a si, o sorriso de alguém à sua espera naquela pequena casa tão cheia de felicidade?...outro estrondo.

Abre os olhos lentamente, uma lágrima corre-lhe pelo seu rosto cansado. Um suspiro, um beijo, um toque…um abraço quente, acolhedor. Estrondo. Sangue. “Amo-te” (um sussurro). Silêncio. Suor, uma carícia, um grito…um sorriso. Outro estrondo.


Debate-se entre pensamentos, fantasias, dúvidas e realidade. A parede continua ali. Corre desenfreadamente contra ela; ele existe, está ali...sente o sangue das sucessivas pancadas na parede, sente a dor de mazelas antigas e recentes…sente a tristeza, a raiva, a saudade…onde está o jardim dos seus sonhos? A criança das suas memórias e a mulher da sua vida…

Senta-se no chão numa apatia total…sorri. “Estão aqui” sussurra baixinho, temendo perdê-las se falar alto demais…não as quer assustar. “Estão aqui…” diz, chorando baixinho de felicidade.

Estende os braços para o vazio…abraça alguém que só ele vê.
Por breves momentos aquele sufoco desaparece.

quarta-feira, março 2

...Quando ?

Sinto-me cansada.
Cansada de me sentir assim. 
Estou mesmo cansada...é a única palavra de que me lembro neste momento. Queria que isto parasse.
Quero.
Parece que já não consigo aguentar muito mais...como se este aperto me fosse consumir por dentro.
Não sei a quem pedir para parar. Não sei como parar esta angústia. 
Este vazio, este sufoco que me invade...estou farta, cansada...tão cansada.


De um olhar de desprezo, voz cheia de rancor.
Palavras secas e diálogos ignorados num jogo de mágoa prevista.
Deixa-me!
Não procures em mim o alicerce que perdeste eu não sei ser e não largues em mim a raiva que já não sabes esconder.
Não mereço! 
Não quero! 
Nem sei.
São dois anos a aplaudir os teus erros com desculpas em magoas, um ano a sofrer por danos que não causei.

Dizem que quando estamos mal descarregamos toda a mágoa e toda a raiva acumulada em quem mais nos quer bem.

Tem que ser assim?

Quando é que vou estar à altura das tuas expectativas? 
Quando é que vou poder estar bem contigo sem pensar que tal paz não vai durar?
Tenho uma novidade para ti: "eu não sou a única culpada" ....

domingo, fevereiro 27

Tua..?

Se sou tua? Sou.
És meu? Acho que sim. Um "tua" e um "meu" sem qualquer sentimento de possessão.
Eu sou tua porque quero ser. Só tua. Tu és meu porque assim quiseste. 
Somos um do outro, sendo assim...livres. Livres nas escolhas, nos pensamentos, nas opiniões, nas amizades.
Livres.
Somos um do outro sem que ninguém nos mande ser.
Sem que ninguém nos diga como o ser.
Sou tua.
Mas quero ser mais tua.
Quero? Não só. Preciso.
Onde está o teu toque? O teu beijo, o teu suspiro? 
Onde ficaram eles no meio de tantos medos? Onde está o desejo que sentias por mim?
Dizes que está aí...mas eu não o vejo.
Quero entender e entendo, quero suportar e suporto...mas não consigo evitar as lágrimas, a tristeza, a cabeça apoiada nas mãos, no meio da multidão sem que ninguém perceba "porque está aquela ali tão triste?"
Não consigo evitar o medo que tenho de nunca mais voltarmos a ser o que éramos.
O medo de nos perder.

Quero tocar-te e tu não deixas, afastas-me. Estás com sono, estás cansado, doem-te as costas...apetece-te brincar, não namorar. 

O teu beijo? Que lhe fizeste?
Sou tua namorada. Sou tua. Mas às vezes fazes-me sentir como se fosse só tua amiga, só mais uma. Quando me fazes tua? Quanto tempo mais?
Só um beijo...só um toque ou um suspiro...é só o que quero de ti neste momento.

Dói...e dói não poder falar com ninguém. Dói não te poder dizer o que sinto porque sei que te vou magoar. Sufoca...porque quero entender-te mas sinto que não estás a fazer nada para mudar a situação. 
E sinto-me mal por sentir isto.
Só quero o antes, sem ter medo do depois.
Quero que o teu coração bata mais forte por mim, e quero permitir que o meu o faça também.

sábado, fevereiro 5

Au Revoir

(...)Às vezes mais vale desistir do que insistir, esquecer do que querer, arrumar do que cultivar, anular do que desejar. No ar ficará para sempre a dúvida se fizemos bem, mas pelo menos temos a paz de ter feito aquilo que devia ser feito, (...).Às vezes é preciso mudar o que parece não ter solução, deitar tudo abaixo para voltar a construir do zero, bater com a porta e apanhar o último comboio no derradeiro momento e sem olhar para trás, abrir a janela e jogar tudo janela fora, queimar cartas e fotografias, esquecer a voz e o cheiro, as mãos e a cor da pele, apagar a memória sem medo de a perder para sempre, esquecer tudo, cada momento, cada minuto, cada passo e cada palavra, cada promessa e cada desilusão, atirar com tudo para dentro de uma gaveta e deitar a chave fora e a seguir esqueçer o sitio!Às vezes é preciso saber renunciar, não aceitar, não cooperar, não ouvir, não pedir nem dar, não aceitar sem participar, sair pela porta da frente sem a fechar, pedir silêncio e paz e sossego, sem dor, sem tristeza e sem medo de partir. E partir para outro mundo, para outro lugar, mesmo quando o que mais queremos é ficar, permanecer, construir, investir, amar. Porque quem parte é quem sabe para onde vai, quem escolhe o seu caminho e mesmo que não haja caminho porque o caminho se faz a andar, o sol, o vento, o céu e o cheiro do mar são os nossos guias, a única companhia, a certeza que fizemos bem e que não podia ser de outra maneira. Quem fica, fica a ver, a pensar, a meditar, a lembrar. Até se conformar e um dia então esquecer.'

A vida só para ...depois da morte ..



quinta-feira, dezembro 16

Isto não é mais solução !


Já caminhei contrariada.
Já me deixei enlear pelo desconforto da indecisão.
E já senti a angustia do: «Salto? Ou não salto?»
Provei o sabor azedo do medo da mudança. Vivi com a angústia de continuar presa a um projecto sem adrenalina e desafios.
Quando o inimigo, somos nós a luta torna-se desigual. Não há adversário pior do que aquele que está cá dentro. Injusto? Talvez. Desgastante? Muito. Mas nunca há vencedores nem vencidos. Posso até massacrar, ignorar, mas vou ter de viver com ele para o resto da vida – à espera de um pequeno sinal para entrar em guerra. O palco? A nossa mente. O Publico? O nosso corpo.

O enlace entre duas pessoas pode ser apenas «Lindo e Inesquecível» ou «Terrifico e amargo» está ao alcance de ambos escolherem qual a escolha que devem tomar!!
Sinceramente, a morte já foi mais assustadora, ((há que perceber ao longo do texto, a definição dada, a morte))!
Neste momento o mais assustador são os sentimentos que em mim carrego, durante este estes últimos 15 meses tenho vindo a desiludir-me muito com o ser humano, não com alguém em específico mas na generalidade.

A verdade é que pouca gente a minha volta se mostrou fiel! Mentiras! Acusações! Ameaças! Tanta coisa, mas essas pessoas não passam de pequenos seres que nunca conseguirão entender o meu conceito de vida, porque ou são piores ou tem inveja… este sentimento é potente (…)
Gosto de caprichos, gosto do limite… mas não gosto do incerto pois muitas vezes faz-me andar na corda bamba, para trás e para a frente.
Com o decorrer do tempo as noções básicas fazem sentido.
É fantástico, a vontade e o prazer, que temos de infringir as regras, mas afinal, em que merda de mundo vivemos nos então? Existe alguém com capacidade de me explicar isso ou apenas só vou saber no dia em que for confrontada com essa mesma verdade!

E eu pergunto tal como a musica dos secondhand serenate, porque me fazes isto a mim?
Se realmente, tu, GOD, existes fica a meu lado pelo menos uma vez, e ajuda-me a enfrentar esta batalha que se aproxima cada vez mais feroz do meu castelo.

A diferença entre mim e o resto do mundo? Nenhuma.
Saudades de tanta coisa. Hoje descobri o valor do arrependimento, dizem que não nos devemos arrepender de nada só do que não fazemos, e é mesmo a esse arrependimento que me refiro daquilo que não fiz, daquilo que devia ter feito, e  aproveitado ainda mais!!!
Perante a caminhada visual sobre uma vista repleta de verde, não consigo encontrar nenhuma solução…apenas o desejo enorme de desaparecer! 

segunda-feira, dezembro 6

Vista Por Dentro ...

Por dentro. Abre-me. Sou só ferida imensa. Carne viva a sangrar. Sem tempo ou pele suficiente para cicatrizar. Abre-me. Com o metal frio do bisturi impecavelmente esterilizado. Sou apenas mais uma. Mais um corpo. 

É quase bar aberto. Serve-te à vontade dos meus sonhos e vãs esperanças. Ridiculariza-os, espezinha-os. Fá-lo é de uma vez por todas. 

Elimina-os de mim. Para que nunca mais ceda à tentação de acreditar em ti. 


As marcas acumulam-se no corpo. No entanto, olho-me ao espelho e incrivelmente ainda acredito. Ainda quero acreditar. Quando sei que não posso, não devo e não quero. 



Acreditar: no ser humano.


"E agora, projectos para o futuro?"

Este foi o início de uma conversa que acabei antes de a mesma tomar outros rumos. 

Finjo um ar feliz por mais esta batalha emocional ganha e agradeço os parabéns.
Consola-os ver-me feliz: os familiares e amigos aplaudem de pé, quem me paga os vicios rejubila de gozo.

Cá dentro: igual ao antes, igual ao depois. Dormente.

Projectos para o futuro: nenhuns. 
O futuro já passou aqui. Bateu à porta sem ser convidado e eu recusei a entrada.
Não quero nada. Não espero nada. Não luto por nada. Não vibro com nada.
"À parte disso tenho em mim todos os sonhos do mundo".  Ou não.

sexta-feira, dezembro 3

O Hoje...!

Por entre os meus pensamentos feridas começam a nascer com o preto da paixão...

Sinto no meu peito o coração a chorar e a minha alma vazia..  sem nexo.. simplesmente estática!

Os meus lábios sorriem e meus olhos dizem-se alegres, porem...  só eu sei mesmo o que eles sentem, só eu sei mesmo o que eles mentem.

Cada poro da minha pele transpira tristeza; não sei o que se vai passar e muito menos tenho a certeza daquilo que me vai acontecer. 


Os meus sentimentos estão trémulos, contudo prometi a mim mesmo não CHORAR, que hoje vou ser forte o suficiente e que vou aguentar!

No entanto, no fim disto tudo preciso de explodir e da minha promessa desistir... quero gritar, berrar, sair, correr sem rumo, o meu peito precisa de de gritar a raiva que sente, a dor que vê... esse grito que ninguém o consegue ver mas que eu sei que se move dentro de mim!

O mais triste é que me achava a pessoa mais forte e no entanto tão fraca como qualquer outro humano, que me mostro aqui.
Mas ninguém saberá... ninguém estas lágrimas ira ver...

E assim, novamente, vou-me sentar no escuro, olhando a noite e sentindo o rio a escorrer-me nas faces e os soluços a saírem como palavras silenciosas -mas ninguém ira ver, ninguém ira ouvir e assim vou CHORAR.


Amanha?? logo se vê....

quinta-feira, novembro 11

Na minha mente..

Não posso dizer que me falte alguma coisa. Mas por vezes, o alguma coisa não chega.
Nós, seres humanos, somos bastante consumistas e materialistas e queremos sempre mais, mais e mais.

Hoje quero mais. Mas quero mais de alguma coisa que não é material, palpável, visível.
Hoje quero mais de algo que não está à distância de um click do rato ou do som de uma moeda a bater na caixa registadora.
Hoje quero algo que ninguém me pode dar. Pois, ninguém vai perceber o que me falta!

Quando penso...
Sinto a cabeça às voltas.
O meu coração quase que vai saltar do peito.
Sinto borboletas no estômago.
Quase que fico com água na boca.

Será assim uma ideia tão absurda, tão distante da realidade, tão fora do normal, que me faça ficar a assim? 
Desejo tanto o indesejável. 
Quero tanto o (quase) impossível. 

O meu radar não está a funcionar muito bem. 
Quando passei pelo que me falta, a luz vermelha não se acendeu.
Porquê? 

quarta-feira, maio 19

O tempo não volta atrás!




Perdemos mais pelo medo do que pelas escolhas. 
Sim, eu tenho medo. Todos temos medo, mas as vezes temos um medo maior de determinada coisa ou situação, algo que nos trava, que nos tira a alegria, que aumenta nossa ansiedade. Teremos medo a vida toda, até por uma questão de sobrevivência. Não posso sair por aí sem medo de absolutamente nada. 
Tenho medo que isso aconteça mas preciso dizer. Não para redimir a minha culpa, consequente de escolhas erradas, mas porque preciso desabafar.
Retirar de mim.
Dar a cara a vida.
Encarar. O medo de errar começou quando eu quis corrigir tudo. Queria ser, ao contrário dos exemplos à minha frente, diferente? Sim. Porém melhor? Perfeita! Seria eu mais esperta, inteligente, esforçada ? ... não, era prepotência, eu queria ser diferente de todos, ter as minhas oportunidades, únicas e criar uma história bem mais à frente. Pois bem, aos "..." anos decidi ser diferente pela primeira vez. (onde estava a minha cabeça?) Decidi que tinha chegado a hora, que era adulta, que tomaria uma decisão que mudaria a minha história e mudou... completamente! 
Queria me tornar uma mulher e feito foi...mas escolhi errado e errei no passado. Totalmente inexperiente e só. Foi quando o medo se apoderou completamente. A minha primeira perda....a minha segurança.
Como a decisão que tinha tomado, apesar de hoje achá-la estúpida, prematura e irresponsável , foi totalmente consciente, e ainda hoje arco com as consequências físicas, mas mesmo assim aos poucos e em silencio segui em frente. 
Acreditando que o futuro fosse um pouco mais doce. E foi...?? O medo de indecisão levou me a cometer erros seguidos, não bastava eu administrar situações insustentáveis até não poder me conter, eu tinha que me sentir maior, neste momento! Além do medo de estar só eu havia descoberto a baixa auto-estima.  Hoje sinto como se boa parte da minha vida estivesse esquecida. 
Não me consigo recordar de datas exatas, somente situações, das quais muitas não me recordo com exatidão. Devo ter criado um bloqueio por sofrer. Porém não é nada crônico, nos últimos tempos venho me recordando de muitas coisas, algumas não tão agradáveis, porém, fazem parte também. =) Eu nunca te quis desapontar, por isso disse muito SIM, quando deveria dizer NÃO. Por isso me submeti a muitas situações que me desvalorizaram, me entristeceram e me deixaram mais sensível, vulnerável a depressão, muitas passei para ser aceite, amada, para criar uma ilusão do que aquilo que magoava não era nada, mas era.
E o medo levava a minha razão. Eu poderia ter evitado situações constrangedoras, poderia não ter magoado algumas pessoas e poderia ter me maltratado menos. Poderia ter colocado o meu ponto de vista com mais afinco, poderia ter resolvido cedo o que resolvi tarde, podia sim, mas não fiz por medo de ser boazinha. Apenas não quis ser vítima mas uma vilã. Lembro-me que assistia a filmes de terror com as mãos nos olhos ou em-baixo de algum lençol, numa tentativa de minimizar o susto que estava por vir ou reduzir o impacto da cena sangrenta demais para meu gosto. 

Mas entre dedos ou por baixo do pano eu olhava e conseguia me assustar. Não adiantava nada. Hoje não mais...não mesmo...o lado obscuro, despertou curiosidades em mim...gosto do Rock puro e duro, gosto de filmes de terror que mostrem os ínfimos pormenores das cenas mais marcantes... Totalmente consciente de que a vida não é feita só de flores e de amores, totalmente consciente de que apesar dos meus erros também acertei muitas vezes e totalmente consciente da pessoa que me tornei e hoje sou, admito, precisei do medo tanto quanto como da coragem. 
Assim como preciso calar certas coisas e dizer muitas outras, não por medo ou vaidade, mas para encarar no espelho a minha imagem, sem dedos ou panos, sem o medo, a verdade.



sábado, maio 15

As vezes existem cores...


Até à uns tempos as coisas pareciam uma folha branca onde a tinta preta esbatia tudo num papel nu… A tinta preta esbatia os sentimentos, os dias, as horas…
Às vezes havia um cinzento que me dava esperança de descobrir novos tons… Sim é verdade que fui descobrindo que podia fazer muita coisa com o preto e branco… Aprendi a desenhar a carvão… A por textura nas coisas simples, tentar dar algum significado às imagens naquela folha branca…
Hoje, parece que amachuquei essa folha e ela está naquele caixote para o qual olho todos os dias… Não me esqueço do que está nela… Agora tenho uma nova folha à minha frente. Trouxeste uma caixa com lápis de cor… Tive que aprender a desenhar as coisas de uma forma diferente, a colocar alegria e cor nos objectos… Agora olho para folha e cada pedaço parece que tem vida só de olhar para ele… Sim é verdade que ainda pego no carvão… ainda pego no passado e desenho algumas coisas com a tristeza passada. Há coisas que não se apagam e como a minha BEST me disse o outro dia “Aprendemos a viver de uma forma diferente… a felicidade nunca será completa”…
Mas tu também trouxeste aguarelas e ajudas-me a dissolver o carvão em água colorida…
Obrigado por dares cor à minha vida.

quinta-feira, abril 15

Cansaço

Cansada de esperas inúteis reencontro a vida, sentada a um canto sacode o pó da mesa com a mão pálida. Vaguear insólito por ali e por aqui. Um sorriso triste inunda-me a face e choro com o riso quebrado no horizonte, antes que a manhã se principie apago a luz da alma para respirar o eco absurdo dos gestos amados. A vida poderia findar, se assim fosse não restariam os beijos dados à socapa nem o desejo de morrer agarrado a muito. Se a morte é a única certeza que temos porque havemos de viver?
Intoxicação?! Porque não? Respiro só mais um pouco antes de me ser diagnosticada a tristeza crónica. Distúrbios, queixumes, uma alma à tona de tudo como se a água fossem os momentos desgraçados que passamos sem nos darmos conta.
Vidas! Pessoas! Soltam-se os braços em filosofias de abraços que não se deveriam contar, solta-se o mundo ao avesso do que somos transpirando na minha pele, solta-se tudo antes que se acabe a voz dos gestos inacabados.
Tremo. Respiro devagar, pau-sa-da-men-te, reclamo, proclamo o nome do choro que sei que me acompanha e antes que a verdade me mate de uma vez por todas já nada me faz sentir viva.

domingo, março 28

Baú das Recordações

Há pessoas fantásticas não há? 
Pessoas que têm a capacidade de viver a vida na sua plenitude, que sabem saborear os mais pequenos detalhes, que transmitem felicidade, harmonia, paz. Que estão de bem com a vida. 
Que conseguem lembrar-se que o sol continua a existir mesmo que naquele momento as nuvens lhes ensombrem o caminho. 
Que nos lembram que o que realmente importa são as pequenas coisas que nos fazem felizes. Como um abraço. Um raio de sol que entra pela janela e nos aquece por dentro. Um sorriso partilhado. 
A nossa mão na mão de alguém. Os planos e os sonhos e as vontades. 
Que gostam de gostar das pessoas. 
Que são corajosas e determinadas e positivas e não viram a cara aos problemas. Que não se deixam abater por eles ainda que obviamente também fiquem tristes. E eu gosto muito de pessoas assim. 
Que nos encantam com a fantástica energia que têm.

O mundo gira porque é redondo e o mundo é redondo porque gira! 
E não só ele, como tudo que há em na sua superfície também gira. 
A vida gira, dá muitas e muitas voltas. 
Quando não gira não é mais vida, é morte. 
Vazio de importância e significado. 

Tudo que vive gira, tudo que gira muda, e tudo que muda evolui. É a mais pura e inegável lei da vida. Acontece com as plantas, acontece com os animais, acontece com o físico, com o psicológico e com os sentimentos, acontece mim para ti..